Escritora Tatiele Café assume identidade regional em seu novo livro Travessia - #AldirBlancBahia




De quantos jeitos uma história pode ser contada? Em seu novo livro de crônicas - terceiro da autora - Tatiele assume identidades a começar pelo seu nome próprio. Em seus livros anteriores, a escritora respondia pela persona de Tatah Café, agora, ela assume seu nome de batismo e esta é a nossa primeira pergunta:


Redação: O que levou você a assumir o seu nome de batismo?

Tatiele: Acho que grande parte dos escritores e artistas em começo de carreira tem receio da coisa desandar e sair de ridículo na cena, o ''outro nome'' nos dá a ideia de que podemos voltar para um lugar seguro, talvez. Mas a escolha de um novo nome para se apresentar ao público tem a ver com alguma rebeldia também em quereres dono absoluto do seu destino, da identificação. Cada dia que passa em meu vejo mais Tatiele, acho um nome forte, acentuado...combina comigo hoje.


R: E o que a escritora Tatiele tem de diferente da escritora Tatah?

T: Muita coisa. E olha que entre a publicação do meu último livro (Nota Afetiva - 2017) e do novo (Travessia - 2021) o intervalo é de apenas 3 anos. Mas eu mudo muito, sou geminiana, olha eu botando desculpa no signo (risos). Não gosto muito de usar a palavra intensa como adjetivo para o jeito como vivo a vida porque parece que eu estou sempre ä beira do precipício e não é isso. Mas posso dizer que vivo muitas experiências em pouco tempo, seria melhor dizer que sou agitada, então enquanto eu to fervendo a água doc café eu to vendo um vídeo de como são colhidos os grãos e por aí vai...mas respondendo, a diferença da Tatah de 2017 para a Tatiele de 2021 é o metabolismo de 30 anos.


R: Falando em idade, a personagem do livro inicia sua narrativa falando justamente disso, da mudança de idade dela, isso tem a ver com sua idade também?

T: Voce ver, né...eu disse pra mim que nesse livro ia ficar menos vulnerável, que ia me expor menos porque durante os eventos de lançamento do outro livro, o que mais se perguntava era se eu não me sentia exposta escrevendo do jeito que eu escrever. E esse tipode pergunta vinha de estudantes de 10, 11 anos...eu comecei a refletir sobre isso, jurei que não ia me expor tanto, aí vou e aprovo a capa do livro com uma imagem parecida comigo, a idade da personagem total igual a minha e os dilemas atuais. Mais autobiográfico impossível (risos)



R: E que dilemas e temas são esses que o leitor vai encontrar no livro?

T: A primeira coisa é que o leitor está adentrando ao universo de um mulher negra, na casa dos 28 anos, em pleno fechamos do que ela chama de ciclos e do retorno de Saturno. Então entra aí dilemas como casar ou comprar uma bicicleta,


R: Quando você fala de identidade regional o que você quer dizer...

T: Eu tive a oportunidade de conhecer outros estados (me chamem, por favor), outros povos, jeitos...e essas trocas são muito profundas. E cada vez que eu conheci uma cultura diferente da minha, mais eu reconheço a minha. Eu me revejo, revisito a casa de meus avós no interior do são roque, as festas de largo em homenagem ä Santo Antonio, mais eu vejo o que me forma como pessoa única, com as minhas histórias, com os meus marcadores. E em se tratando de gênero, quanto mais eu vivo tudo isso mais eu me compreendo como uma mulher negra, do Recôncavo...


R: Tati, o livro foi financiado pela Lei Aldir Blanc via FUNCEB, certo? Como você avalia a inciativa e qual a importância desse tipo de edital de premiação?

T: Isso! Esse livro começou a ser produzido através de um outra chamada da FUNCEB que foi o Edital de Residência Artística para escritores no instituto Sacatar, em Itaparica, no ano de 2018. Eu fui selecionada e passei 8 semanas na Residência produzido, escrevendo, foi incrível! Eu saí de lua com o livro bem encaminhado e fui viver 2 intensos ano, ou melhor, 2 agitados anos, como produtora, abrindo minha empresa...nesse intervalo eu quase não escrevi e ainda estava no processo de difusão do Nota Afetiva. A oportunidade da Aldir Blanc veio no momento crucial quando nós, agentes da cultura, nos vimos sem chão diante do cenário de pandemia. E aí eu não tive dúvidas em inscrever minha proposta no Premio Jorge Portugal. Na residência o projeto do livro era um projeto de criação, e na Aldir Blanc foi um projeto de publicação do que já havia sido criado, é importante frisar essa diferença. A classe artística precisa ter esse tipo incentivo todo ano, não só em um cenário de guerra como este.


R: Depois de escrever um livro tão recente assim, ainda fica alguma cosia para falar para o público antes das novas experiências? Qual é o recado final para os leitores?

T: Oxe! Perguntar pra uma geminiana se tem algo pra falar...tá com tempo? (risos). Primeiro, quem puder, fica em casa. Segundo, quem puder compra o lvro e fica em casa lendo o livro que vai ser melhor ainda. Se cuidem, cuidem de quem está em casa e vamos manter a esperança de que dias melhores virão e que escolheremos melhor aqueles que nos representam.


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